A parabólica
Serafim já tinha trabalhado na manutenção, já tinha experimentado ser motorista e assistente de reportagem, mas pediu para voltar ao emissor. Em Monsanto o trabalho era bem mais calmo. Longe do frenesim dos estúdios é que se sentia bem. É certo que as ajudas de custo e as refeições – às vezes em restaurantes onde Serafim nunca teria entrado se as despesas não estivessem cobertas – eram um complemento importante. Mas nada se comparava àquele sossego de Monsanto. E havia a leira do feijão, cebola e nabiças, que lhe deixavam cultivar na parte baldia do centro emissor. Isso dava-lhe muito prazer e rendimento. Comentava-se no Lumiar, por inveja ou maldade, que o trabalho no emissor era mais ou menos como ser segurança ou andar na emergência médica – se está tudo bem, não há nada para fazer. Serafim, que gostava de ser respeitado, sabia que era injusto pensar assim. Primeiro, porque atribuía a devida importância à sua ...