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Em casa de ferreiro...?

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shooting the MGM logo, 1924 Há na RTP bons profissionais da imagem, do som, da edição, do guião, do texto e da narrativa, da realização, da ilustração gráfica, da reportagem e do jornalismo, da produção, etc., etc. Tantos! Serão centenas, milhares? São criativos, habituados a trabalhar histórias e enredos, reais ou ficcionados, em que os protagonistas são sempre os outros – nós, o mundo. Desta vez, o coração desta família profissional, palpita incomodado com o que se passa dentro de sua casa. Há tanta coisa para contar, para perguntar, para explicar... e há sobretudo a vontade de exercer o direito inalienável de debater a verdade. Mas pouco tenho visto por aí feito com o seu trabalho o seu saber. Encontram-se uns blogs, uns posts, uns comentários de facebook, uns links, uns artigos. É pouco, para as ferramentas poderosas que esta família domina. Não falo dos meios da RTP, claro; nem dos conteúdos, nem das antenas. Não há apelos insurrectos nesta ideia. Sã...

Concessionar a consciência

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Petar Meseldžija - Giants and the Bullfight Numa altura em que a RTP tanto precisa do carinho público, e o público tanto precisa de uma RTP distinta, logo aparece a costela marialva da televisão e espeta um ferro curto nessa relação de confiança.

A parabólica

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Serafim já tinha trabalhado na manutenção, já tinha experimentado ser motorista e assistente de reportagem, mas pediu para voltar ao emissor. Em Monsanto o trabalho era bem mais calmo. Longe do frenesim dos estúdios é que se sentia bem. É certo que as ajudas de custo e as refeições – às vezes em restaurantes onde Serafim nunca teria entrado se as despesas não estivessem cobertas – eram um complemento importante. Mas nada se comparava àquele sossego de Monsanto. E havia a leira do feijão, cebola e nabiças, que lhe deixavam cultivar na parte baldia do centro emissor. Isso dava-lhe muito prazer e rendimento.         Comentava-se no Lumiar, por inveja ou maldade, que o trabalho no emissor era mais ou menos como ser segurança ou andar na emergência médica – se está tudo bem, não há nada para fazer. Serafim, que gostava de ser respeitado, sabia que era injusto pensar assim. Primeiro, porque atribuía a devida importância à sua ...

Don’t complain, never explain!

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Vem aí bernarda! O “affair RTP” que rebentou esta semana parece-me coisa séria! Não tão só pelo que tenho lido, mas principalmente por aquilo que não vejo escrito. Seja o que for que “affair RTP” possa significar, estou certo que vem aí bernarda e a coisa vai ficar agreste para quem trabalha honestamente em televisão! Busco a pegada digital da gente bem posicionada na charneira deste problema. Andam todos por aqui, sabemos quem são. Não me estou a referir exclusivamente a quadros da RTP. Refiro-me a tantos outros. Ao people ligado aos players, ao comentário, às tutelas, às reguladoras, às produtoras, aos parceiros, aos agentes, aos opinion makers... A tanta gente que orbita neste universo nebuloso da “comunicação social” e nunca poupa tinta digital para matérias não contundentes. Mas agora... Estão calados! Claro, estão todos ao telefone. Garantir o futuro da folha do vencimento por lobby telefónico, é complicado Eles são o barómetro nesta câm...

Super Putaria Nacional

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A história que se segue é verdadeira. Passou-se comigo nos anos 70. Em casa dos meus pais, junto à janela da sala que dava para as traseiras, havia uma mesa de design inigualável, que incorporava a televisão. O aparelho, um verdadeiro luxo, “com muito bom som e uma imagem muito clarinha” como elogiavam os vizinhos, vivia pousado numas pernas aflitivamente esguias, porque assim o determinava o gosto da época, e convivia com um naperon e uma peça de loiça decorativa na prateleira de baixo, nada mais. Da sóbria carcaça do móvel televisor sobressaiam meia dúzia de botões – o On/Off, o Som, o Claro/Escuro, e uma botoeira em sequência, para comutação de canais (VHF e UHF), já preparada para um total de seis estações. Não havia comandos nem controlo remoto. Talvez porque não tivessem ainda sido inventados, nem fariam sentido. O país satisfazia-se com dois canais de televisão – aliás, um e meio, porque o “segundo” só emitia a certas horas. Mudar de canal era uma co...

Memória

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Vasculhai os arquivos da RTP e encontrareis uma brilhante entrevista, gravada há mais de 20 anos, que nunca foi emitida e pergunto-me se algum dia o será. É um interessante casamento de imaginação e jornalismo – uma entrevista post mortem a Carlos Pinto Coelho. Eu explico. O entrevistado, Carlos Pinto Coelho, responde, para registo futuro, a algumas perguntas sobre o que foi a sua vida e percurso profissional, no uso persistente do pretérito perfeito – eu fui, eu fiz, eu estive, eu amei. Um ousado exercício que só as mentes rasgadas sabem equilibrar. O que pinta de tons trágicos este diletante desempenho expressionista é que, a partir de hoje dia 16 de Dezembro de 2010, fica fechado o ciclo de três razões que nos responsabiliza no dever de entregar à História tal pedaço de espólio. Primeira, o entrevistador, António Amaral Pais, um príncipe do jornalismo, deixou-nos há muitos anos vitimado por esse sezão mortal que fazemos questão de evocar todos os anos no primeiro de Dezembro. Segund...

O Juiz Decide

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Seis meses depois da data que determinou o início oficial das emissões de televisão digital terrestre (TDT), nada está feito. A PT afirma ter aberto, aqui e alí, a “torneira” do sinal digital, mas nem uma pinga de conteúdos TDT corre nas casas dos consumidores. Portugal, sempre tão animado pelos choques de inovação tecnológica senta-se, nesta matéria, na fila de trás do comboio europeu, arriscando-se a falhar o calendário comunitário. A entidade reguladora é directamente culpada dos maus préstimos no “tratamento” do concurso público, e os comissários que nela prestam serviço deveriam, em tempo, ser chamados aos tribunais para responder pelos danos que as “suas” decisões políticas provocaram aos espectadores, aos investidores do sector audiovisual (*), aos técnicos, aos criativos e autores que vêm na Telecinco a esperança de ressurgimento do mercado adormecido e viciado (em jeito de cartel) pelos actuais players. À falta de melhor interlocutor foi o tribunal que agora veio dar razão à T...

Um som olímpico

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Em 1987, quando regressei da Holanda, do projecto pan-europeu “Europa TV”, fundei a SINCRO, uma empresa produtora de audiovisuais que fez vida por aí na produção de conteúdos até definhar e morrer no final dos anos 90 derrubada pela torrente de outras mortes que me agitaram a vida. A SINCRO deu o primeiro emprego a alguns jovens que hoje são profissionais maduros e vão sobrevivendo às agruras do mercado. Alguns foram-me “roubados” bem cedo, pela emergência da “televisão privada” – a SIC, em 1992. Foram danos infligidos à SINCRO, que eu, “patrão cúmplice”, encarei com a maior pacividade porque tinha o coração dividido entre as duas casas. Um deles, o Nuno Duarte, apareceu-me na SINCRO recomendado por alguém... já não me lembro quem, e integrei-o na equipa como assistente de áudio. Lembro-me do Nuno, baixinho, calado, atento, perspicaz e cumpridor das tarefas operacionais que lhe eram atribuídas. Depois, na SIC, encontrávamo-nos por vezes em produções conjuntas – eu como realizador e o N...

Parto na auto-estrada

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Chicago, 13 de Outubro de 2009. Quase três da manhã. Tracy conduzia na Chicago Eisenhower Expressway visivelmente nervoso, enquanto Judy, sua mulher, se torcia de forma quase animalesca no banco ao lado, arfando e bradando palavras sem sentido. - Queres que pare já aqui? gritou Tracy. - Não sei! sussurrou Judy visivelmente assolada pelas dores de parto e em total negação com as circunstâncias em que o corpo se rebelava. Tracy tentou manter a serenidade e decidiu, sozinho, que não havia outra solução. Não conseguiria chegar a tempo com a mulher ao hospital. Seria mais prudente parar na berma, chamar a emergência médica e assumir que o seu quarto filho iria nascer ali mesmo, à beira da estrada. Que há de fascinante na aventura narrada nesta história? Nada. Bebés nascidos a caminho do hospital dariam para encher bairros de infantários. Ainda assim não chegariam a ser notícia. Mas a história poderá ganhar consistência se eu disser que a parturiente Judy, Judy Hsu, é pivô na ABC7 de Chicag...

Para reflectir

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A frase é retirada de um mail mais longo que recebi, hoje, de um amigo. Quem a escreve é um professor que lecciona ciber-jornalismo numa universidade pública portuguesa: " ...tenho conversado com os jovens e costumo perguntar-lhes se vêem televisão. A resposta é sempre negativa ou então algo do tipo "ligo quando vou dormir". Um deles disse-me que "se a TV fosse na Internet seria mais fácil ver ". Fica aqui para reflexão.

Hollywood aqui tão perto!

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Estúdios da SP Televisão , produtora de conteúdos – ficção, séries, novelas e o que mais houver, ou lhes venha a ser encomendado. Zona suburbana de S. Marcos, Sintra, a poucos metros de uma via rápida, em linha recta, mas a quilómetros dela pelo acesso da velha estrada. Almoço no restaurante da produtora a convite de amigos que gerem a empresa. O pretexto da visita é profissional. Equipamentos, tecnologia, sistemas. Mas, circulando pelos estúdios, o olhar escapa-se-me sempre pela observação das peças, dos objectos mundanos, que evocam apetitosos ambientes cénicos. Tudo o que a nossa memória consiga espremer de anos de ficção televisiva se vem encontrar nestes locais. Num estúdio vivo, viaja-se sempre entre cenografias. Algumas em utilização e rodagem; outras arrumadas, em desuso; outras em construção, para servirem histórias cuja identidade ainda não é conhecida. São salões, quartos, jardins interiores, cabinas de avião, leitos de cama para romance e sexo... que nos remetem para marcas...

O viral

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Susan Boyle é uma escocesa de 47 anos, desempregada, solteira, provinciana, feia, com sobrancelhas que nunca foram arranjadas, que confessou em palco nunca ter sido beijada por amor. Haverá pior forma de começar? Viral é o nome dado aos conteúdos (pequenos vídeos) disseminados de forma epidémica pelas novíssimas plataformas de comunicação: o mail , os blogs , os microblogs , os vlogs , os instant messengers , os telemóveis e outros. A divulgação é exponencial, em pirâmide, e faz de cada um de nós, simultâneamente, receptor (porque recebemos de alguém), emissor (porque enviamos para muita gente) e editor de conteúdos (porque seleccionamos o que enviamos e para quem enviamos, criando micro-comunidades na nossa lista de contactos). Há exactamente uma semana, no sábado passado, Susan Boyle enfrentou o júri e o auditório do Britain’s Got Talent (um equivalente britânico dos nossos Operação Triunfo ou Ídolos ) num daqueles castings demolidores de minuto e meio para “glória ou morte súbit...

ETC, etc.

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Em Março de 2007, em Los Angeles, numa animada conferência internacional sobre “O Futuro da Televisão”, Bruce Rosenblum, Presidente da Warner Bros Television Group, surpreendeu o auditório apresentando este novo conceito – o ETC. “Quando me pediram para vir aqui falar sobre a televisão e o futuro, eu pensei: - Bem, é fácil. Tudo o que se passa resume-se em três pontos - as televisões generalistas, clássicas, confrontam-se com o decréscimo das audiências face ao desgaste da sua oferta de conteúdos; por outro lado, algumas estações privadas, mais ousadas, encontram rentabilidade na descoberta de novos conceitos comerciais, multi-plataforma, interpretando devidamente a revolução tecnológica e a mutação dos hábitos dos consumidores; por outro lado, ainda, os custos de produção continuam a aumentar (menos os dos conteúdos de má qualidade e garantido insucesso), mas a tecnologia faz surgir novas formas de receita que poderão mitigar os custos crescentes. Face a este cenário tripartido, eu vi...

A Televisão do Futuro

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Vem aí a televisão digital terrestre e, com ela, o quinto canal de televisão generalista em Portugal. O que irá mudar com o aparecimento de uma nova televisão? Iremos beneficiar em qualidade e alternativas, ou será que cinco vai ser igual a quatro mais um? A cinco – por enquanto vamos chamar-lhe assim – será o primeiro canal generalista do Séc. XXI. E não adianta desvalorizar-lhe o significado. O quinto canal irá nascer 15 a 20 anos depois do seu irmão mais próximo, a TVI. Mas a revolução nas comunicações e as mudanças sociais das últimas décadas, representam, entre eles, um salto maior do que as quatro décadas que antecederam. Significa que o quinto canal nascerá “geracionalmente” mais afastado dos irmãos próximos, TVI e SIC, do que estes da primogénita RTP. Os 35 anos que separam o nascimento da RTP, da televisão privada, parecem, à distância, um instante de calmia – o que determina que, neste caso, 15 ou 20, seja maior do que 35. Fasquia alta para a nova televisão. Por isso assiste ...

Encontram-se e fazem as Pazes - I

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Basta estar atento, ver cinema e boas séries, e reparar – actualmente, muitas produções de televisão e cinema equivalem-se em apuramento formal e qualidade técnica. Já lá vão os tempos em que o trabalho técnico, operacional e criativo da televisão era visto por alguma gente do cinema como um resultado pouco cuidado, talvez um trabalho menor. “Televisão é fluxo” – terão ditado alguns – “logo, um trabalho sem rigor no detalhe”. Mas os tempos vieram diminuir-lhes razões. Muitos factores contribuíram para a mudança. A sociedade mudou e ambas as indústrias acertaram a agulha, corrigindo o paradigma. Nesta coluna iremos analisar alguns aspectos que têm conduzido à aproximação e reconciliação do cinema e da televisão. Comecemos por um de natureza técnica. Montagem: a lógica não linear. Sabe como alguns dos grandes nomes do guionismo escrevem as suas obras? Primeiro inventam-lhe um final forte; a seguir, um início inesperado e arrebatador; e só depois constroem o miolo interior, o corpo, aquil...

Os Formatos de Imagem

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O leitor é assumidamente um cinéfilo exigente. Escolhe ver bons filmes nas salas com condições mais apropriadas. Em casa vê TV e DVD’s atribuindo relevância ao formato de exibição. Prefere versões originais a dobragens, e versões integrais sem cortes nem intervalos. Haverá melhor fruição de uma obra do que vê-la nas condições exactas em que foi concebida pelos seus autores? Repare então no cenário alternativo, e veja se lhe é familiar? Entra-se no café, no restaurante, ou mesmo na casa de um amigo que ostenta um moderno televisor de plasma, de formato panorâmico, e qual é a primeira “modernidade” que nos salta à vista? A imagem esticada, deformada, recortada, ou “adaptada” ao formato do televisor num “aproveitamento” total da área útil do aparelho. O programa de TV é emitido no tradicional formato de 4:3, mas a aparente fobia a faixas de negro, resolve o assunto de outra forma. Há várias técnicas de maltratar a imagem. Veja aqui algumas e valide-as num local próximo de si: Técnica 1 – ...