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Memória

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Vasculhai os arquivos da RTP e encontrareis uma brilhante entrevista, gravada há mais de 20 anos, que nunca foi emitida e pergunto-me se algum dia o será. É um interessante casamento de imaginação e jornalismo – uma entrevista post mortem a Carlos Pinto Coelho. Eu explico. O entrevistado, Carlos Pinto Coelho, responde, para registo futuro, a algumas perguntas sobre o que foi a sua vida e percurso profissional, no uso persistente do pretérito perfeito – eu fui, eu fiz, eu estive, eu amei. Um ousado exercício que só as mentes rasgadas sabem equilibrar. O que pinta de tons trágicos este diletante desempenho expressionista é que, a partir de hoje dia 16 de Dezembro de 2010, fica fechado o ciclo de três razões que nos responsabiliza no dever de entregar à História tal pedaço de espólio. Primeira, o entrevistador, António Amaral Pais, um príncipe do jornalismo, deixou-nos há muitos anos vitimado por esse sezão mortal que fazemos questão de evocar todos os anos no primeiro de Dezembro. Segund...

Que descanse em paz

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A notícia da morte de Bénard da Costa chegou-me via twitter. A informação relevante ou de última hora chega-me habitualmente online. Prefiro o acesso online à comunicação porque é mais eficaz – mais rápido, mais completo, mais simples. E pode ser gerido por mim. Gradualmente, sem me aperceber, vou alterando os hábitos de consumo, e os culturais. Por isso compro menos jornais e raramente vejo televisão. A notícia da morte de Bénard da Costa chocou-me, deixou-me triste. Era um chato, às vezes, mas eu gostava dele, respeitava-o intelectualmente. Eu sei que não é o elogio fúnebre apropriado mas tenho que o dizer: eu via o Bénard como o óleo de fígado de bacalhau, muito bom, enriquecedor, mas um pouquinho intragável. Aprendi muito com ele, desde cedo... lembro-me do Tempo e o Modo. O que eu não imaginava é que também haveria de aprender com ele no acto da sua retirada de cena. Quando, pelo twitter, tomei conhecimento do falecimento, tive também a consciência de que já pouco me serviam os ca...

Twiteiros...

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Nesta febre viral das redes sociais tem-me acontecido criar amizades (seguir e ser seguido) por gente que nunca teria pensado juntar no meu círculo de amigos. Bush, Obama, Sócrates, Bin Laden, a Senhora de Fátima, Oprah, Sara Palin, Richard Branson, Mário Soares e Paris Hilton, são alguns dos meus compinchas twiteiros com quem me sinto “tu cá, tu lá” nesta coisa de mandar recados e do ké ke tás a fazer ? A característica epidémica da rede ajuda a que se aceda facilmente a novas amizades, que são os amigos dos nossos amigos e assim sucessivamente. Foi nesta circunstância que encontrei o martimavillez , nick para Martim Avillez, com fotografia condizente e bio que anunciava: journalist last 16 years, now publisher to Lena Comunicação – era ele, sem dúvida. Cliquei entusiasmado. Não porque o quisesse provocar ou confrontar com as minhas opiniões teimosas sobre a qualidade, o alinhamento politico e o futuro do jornal que dir-i-ge, mas apenas porque o queria seguir – leia-se: o queria ouvi...

i - um jornal porreiro, pá!

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Bastaram três dias para ver o filme. O filme, neste caso, é um jornal, o i . Três dias, três edições, muitas páginas, uma revista. Notícias, zero; cachas, zero; interesse, gozo e sumo informativo, muito reduzidos. A revista (que me perdoe o Pedro Rolo Duarte) é uma brincadeira sem interesse. Tudo mau. Só me merece um comentário: nenhuma árvore merecia morrer por causa tão pouco nobre. Mas será mesmo um jornal desprovido de novidade? Bem, tem uma... e nem sequer é a paginação o grafismo ou o online: é um novo estilo, new age , de fazer jornalismo (chamemos-lhe assim, por benevolência). A manchete do segundo dia de vida diz tudo - Governo Obriga Caixa a Salvar outro Banco ”. O percurso do i é previsível: dou-lhe um ano de vida. Com legislativas e autárquicas agendadas para o Outono, a vida do i vai ser mais ou menos assim. Em Janeiro de 2010 estará a reestruturar o conceito editorial, o visual e a equipa redactorial. Em Setembro do ano que vem, fecha portas. Será prematuro e injusto f...