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Moonlight

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Do que é que eu não gostei no (filme) Moonlight? Houve apenas uma coisa que me incomodou. E incomodou bastante. Não, não foi o tema da homossexualidade, que isso é assunto mais que acomodado nos tempos que correm - talvez ainda não acomodado por toda a gente, mas para gente como nós, que ainda tem 7 euros para pagar por uma cadeira de cinema, os desígnios da sexualidade, nas diversas variações de género, representam apenas factores de coloração da entrega dos afectos. Não, também não foi o black trash suburbano de Miami, os ghetto dwellers, os crack head neighbors dos arredores, a desestruturação familiar, a toxicodependência parental, que para ver isso não é preciso ir aos slums da América, temos por cá equivalente. Também não foi o cerco da realização cinematográfica (ou da “cinematografia”, se quisermos), angustiante, quase claustrofóbica, de curta distância focal, de fundos desfocados, da câmara handheld que olha a acção e se mexe misturada com os...

Leave Her to Heaven

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O que é o preço da fama? Será uma apresentadora de televisão fugir do estúdio enroscada no porta-bagagens do meu carro, para evitar o psicopata que a espreita no estacionamento e todos os dias lhe entrega cartas de amor? Será o pivô do jornal que recebe diariamente uma gravata de seda, vinda de admiradora anónima, com indicações precisas do pandã para camisas e casacos? Já tenho visto celebridades no check out do hotel, ser-lhes recusado o pagamento da despesa porque “ o privilégio da sua estadia foi inteiramente nosso!” – isso não é também um preço para a fama? Já vi aldeias paradas a aplaudir um carro que passa porque traz o emblema da SIC ou da TVI. Vi policias desculparem-se por ter mandado parar famosos da televisão, que iam apenas bem bebidos e em excesso de velocidade, “siga lá, e já agora um autografozinho para a minha filha, pode ser? ” Vi um matulão fazer uma espera ao apresentador, porque não gostou da forma derretida como a esposa, que segurava ...

O que pequeno nasce, grande pode tornar-se

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Nos anos 90, John Polson, um actor/realizador trintão e meio encalhado nos negócios da produção cinematográfica resolveu juntar uns amigos e organizar um festival de cinema de curtas metragens. A “coisa” podia passar-se ali mesmo, no Tropicana Caffe, nos subúrbios de Sydney, na Austrália, onde se juntavam quase todos os dias para “tomar a bica”. O TropFest nasceu e a aventura correu bem. Muito bem, mesmo, ao ponto de, com os anos, ser acarinhado pelo público como um dos principais eventos culturais e artísticos da Austrália. Polson soube dinamizar o festival introduzindo novas categorias, mas mantendo sempre o foco no formato “curtas”. Mais três anos e o Tropfest, que do café Tropicana já só tinha a metade frontal do nome, subia por mérito, à classificação guiness de “o maior festival de curtas metragens do mundo”. Encheu de orgulho o país, mas Polson tratou de criar um desdobramento com uma versão complementar do certame a decorrer em Nova Iorque. O Tropfest vive agora, orgulhosament...

Encontram-se e fazem as Pazes - I

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Basta estar atento, ver cinema e boas séries, e reparar – actualmente, muitas produções de televisão e cinema equivalem-se em apuramento formal e qualidade técnica. Já lá vão os tempos em que o trabalho técnico, operacional e criativo da televisão era visto por alguma gente do cinema como um resultado pouco cuidado, talvez um trabalho menor. “Televisão é fluxo” – terão ditado alguns – “logo, um trabalho sem rigor no detalhe”. Mas os tempos vieram diminuir-lhes razões. Muitos factores contribuíram para a mudança. A sociedade mudou e ambas as indústrias acertaram a agulha, corrigindo o paradigma. Nesta coluna iremos analisar alguns aspectos que têm conduzido à aproximação e reconciliação do cinema e da televisão. Comecemos por um de natureza técnica. Montagem: a lógica não linear. Sabe como alguns dos grandes nomes do guionismo escrevem as suas obras? Primeiro inventam-lhe um final forte; a seguir, um início inesperado e arrebatador; e só depois constroem o miolo interior, o corpo, aquil...