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Visita de Estado

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A foto parece antiga, mas não. É futurista. Foi tirada aquando da terceira visita da chanceler Merkel aos Territórios do Sul do Império. Mais exactamente numa zona chamada Portugal. - “Veja como está tudo dizimado, Chanceler. Tal como nos tinha recomendado. Observe a vastidão do território libertado. Só restamos nós, governo, e um banco, literalmente.” Diz o janota do meio, um tal “passos coelho”, acotovelando contra a parede um acólito, o “portas”, que com o tempo lhe mereceu estatuto de insignificante. O “portas” refugiava-se naquele tique estranho que tinha adquirido no Reich anterior: quando se sentia pouco à vontade, olhava em frente, para evitar ser notado. Mais à direita, o quinto, era o “relvas” que olhava sempre a obra realizada, de queixo emproado. Tudo para ele era honoris causa. O último, o pequenino da direita, era o “gaspar”. Aparentemente reservado nas apresentações protocolares, era exigente numa coisa: queria sempre ser visto o mais próximo p...

Super Putaria Nacional

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A história que se segue é verdadeira. Passou-se comigo nos anos 70. Em casa dos meus pais, junto à janela da sala que dava para as traseiras, havia uma mesa de design inigualável, que incorporava a televisão. O aparelho, um verdadeiro luxo, “com muito bom som e uma imagem muito clarinha” como elogiavam os vizinhos, vivia pousado numas pernas aflitivamente esguias, porque assim o determinava o gosto da época, e convivia com um naperon e uma peça de loiça decorativa na prateleira de baixo, nada mais. Da sóbria carcaça do móvel televisor sobressaiam meia dúzia de botões – o On/Off, o Som, o Claro/Escuro, e uma botoeira em sequência, para comutação de canais (VHF e UHF), já preparada para um total de seis estações. Não havia comandos nem controlo remoto. Talvez porque não tivessem ainda sido inventados, nem fariam sentido. O país satisfazia-se com dois canais de televisão – aliás, um e meio, porque o “segundo” só emitia a certas horas. Mudar de canal era uma co...

Assim vai o mundo!

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Abril de 2012. Num destes dias a Ucrânia acordou assustada. Alguém tornou pública a declaração de rendimentos do presidente Yanukovich, apresentada recentemente às finanças. No item oitavo do equivalente a uma declaração de IRS, o cidadão Viktor Yanukovich, presidente da república da Ucrânia, declara ter recebido mais de 16 milhões de grívnias, a moeda local, o equivalente a 1,6 milhões de euros, em direitos de autor. Mais de milhão e meio de euros em royalties por textos publicados. Textos que são a compilação dos seus discursos públicos, coligidos pelos assessores. O montante daria para pagar várias vezes os direitos autorais de todos os artistas, escritores, poetas, dramaturgos e outros, da Ucrânia, durante vários anos. E ainda sobraria o suficiente para oferecer uma edição legal do Harry Potter a cada um dos 50 milhões de ucranianos. Num ambiente de democracia musculada algumas vozes têm vindo a público denunciar envergonhadamente que a cobrança pode ter sido “...

Eleições I - A noite em que os partidos voltaram a não perceber nada do que se está a passar

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É sempre bonito ver todos os partidos contentes, satisfeitos com o resultado eleitoral. Ontem, foi a noite em que toda a gente venceu, como explicou Ricardo Araújo Pereira, na SIC. O PSD venceu porque ganhou ao PS. O PS venceu porque sobreviveu às dificuldades. O Bloco de Esquerda venceu porque ultrapassou o PCP. A CDU venceu porque o PC vence sempre. O CDS venceu porque ganhou às sondagens. Contabilize-se também a vitória de 6 milhões de portugueses (200 milhões de europeus) que votaram... as urnas ao abandono. E sairam naturalmente vencedoras as mentes hipócritas que acham que não votar é sinal de ignorância, de irresponsabilidade e apropriado a quem não tem preocupações sociais. Venceram, porque são invencíveis na presunção e no convencimento. Nenhum argumento conseguirá demovê-los. Cabeças destas são o maior estímulo ao incremento da abstenção. Haverá diferentes razões para a abstenção. Uma delas traduz um veemente voto de protesto. Protesto contra a actuação de políticos e partido...

Western Pita Shoarma

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Março de 2006, Mahmoudiya, arredores de Bagdad. Steven Green , um cabo para-quedista norte-americano destacado num pequeno aquartelamento cuja missão era vigiar um cruzamento de duas estradas nacionais, resolveu quebrar a rotina das enfadonhas noites de calor e bebedeira com whisky iraquiano e animar o serão dos camaradas de combate com dose reforçada de adrenalina. Planeou uma noite memorável, uma festa que só o sangue árabe lhe poderia proporcionar. Green e quatro soldados amigos equiparam-se com roupa interior preta – ninja suits , como lhe chamam em combate – e bem bebidos, com os vapores do whisky marado a bater, escaparam-se à surrapa do aquartelamento, dirigindo-se a uma casa nas proximidades, uma moradia rural isolada, a escassa centena de metros do aquartelamento militar. Já sabiam quem iam encontrar. Arrombaram a porta, entraram em casa e isolaram a filha mais velha da família, a jovem Abeer Qasim Hamza, de 14 anos . Steven, sempre o mais ousado do grupo, arrastou o pai, a mã...

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