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O Juiz Decide

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Seis meses depois da data que determinou o início oficial das emissões de televisão digital terrestre (TDT), nada está feito. A PT afirma ter aberto, aqui e alí, a “torneira” do sinal digital, mas nem uma pinga de conteúdos TDT corre nas casas dos consumidores. Portugal, sempre tão animado pelos choques de inovação tecnológica senta-se, nesta matéria, na fila de trás do comboio europeu, arriscando-se a falhar o calendário comunitário. A entidade reguladora é directamente culpada dos maus préstimos no “tratamento” do concurso público, e os comissários que nela prestam serviço deveriam, em tempo, ser chamados aos tribunais para responder pelos danos que as “suas” decisões políticas provocaram aos espectadores, aos investidores do sector audiovisual (*), aos técnicos, aos criativos e autores que vêm na Telecinco a esperança de ressurgimento do mercado adormecido e viciado (em jeito de cartel) pelos actuais players. À falta de melhor interlocutor foi o tribunal que agora veio dar razão à T...

Parto na auto-estrada

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Chicago, 13 de Outubro de 2009. Quase três da manhã. Tracy conduzia na Chicago Eisenhower Expressway visivelmente nervoso, enquanto Judy, sua mulher, se torcia de forma quase animalesca no banco ao lado, arfando e bradando palavras sem sentido. - Queres que pare já aqui? gritou Tracy. - Não sei! sussurrou Judy visivelmente assolada pelas dores de parto e em total negação com as circunstâncias em que o corpo se rebelava. Tracy tentou manter a serenidade e decidiu, sozinho, que não havia outra solução. Não conseguiria chegar a tempo com a mulher ao hospital. Seria mais prudente parar na berma, chamar a emergência médica e assumir que o seu quarto filho iria nascer ali mesmo, à beira da estrada. Que há de fascinante na aventura narrada nesta história? Nada. Bebés nascidos a caminho do hospital dariam para encher bairros de infantários. Ainda assim não chegariam a ser notícia. Mas a história poderá ganhar consistência se eu disser que a parturiente Judy, Judy Hsu, é pivô na ABC7 de Chicag...

Hollywood aqui tão perto!

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Estúdios da SP Televisão , produtora de conteúdos – ficção, séries, novelas e o que mais houver, ou lhes venha a ser encomendado. Zona suburbana de S. Marcos, Sintra, a poucos metros de uma via rápida, em linha recta, mas a quilómetros dela pelo acesso da velha estrada. Almoço no restaurante da produtora a convite de amigos que gerem a empresa. O pretexto da visita é profissional. Equipamentos, tecnologia, sistemas. Mas, circulando pelos estúdios, o olhar escapa-se-me sempre pela observação das peças, dos objectos mundanos, que evocam apetitosos ambientes cénicos. Tudo o que a nossa memória consiga espremer de anos de ficção televisiva se vem encontrar nestes locais. Num estúdio vivo, viaja-se sempre entre cenografias. Algumas em utilização e rodagem; outras arrumadas, em desuso; outras em construção, para servirem histórias cuja identidade ainda não é conhecida. São salões, quartos, jardins interiores, cabinas de avião, leitos de cama para romance e sexo... que nos remetem para marcas...

...e não digam que não foram avisados!

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# v ideo kills the radio star # A corrida está renhida, mas a próspera e culta cidade de São Francisco, na Califórnia, (quatro milhões de habitantes - malha urbana), encontra-se bem posicionada para conseguir tornar-se " a primeira grande cidade americana sem um único jornal diário " - um estatuto sempre prestigiante num país que aprecia feitos absolutos. O San Francisco Chronicle , quase 150 anos de vida, agoniza pelas bancas da cidade, já (visivelmente) entregue a cuidados paliativos. E quando o jornal fechar, será que os leitores da cidade se irão entregar ao luto e à lamúria do defunto? - Nem pensar! Dizem mesmo que " o ppl com menos de trinta anos nem vai dar por isso! " Que comentário desapropriado!... Certamente proferido numa daquelas disparatadas reportagens de vox populi ? - Absolutely no way! Quem o disse, exactamente nestes termos, foi mesmo Gavin Newsom, o Mayor da cidade da Golden Gate , numa entrevista ao The Economist. A migração de públicos par...

ETC, etc.

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Em Março de 2007, em Los Angeles, numa animada conferência internacional sobre “O Futuro da Televisão”, Bruce Rosenblum, Presidente da Warner Bros Television Group, surpreendeu o auditório apresentando este novo conceito – o ETC. “Quando me pediram para vir aqui falar sobre a televisão e o futuro, eu pensei: - Bem, é fácil. Tudo o que se passa resume-se em três pontos - as televisões generalistas, clássicas, confrontam-se com o decréscimo das audiências face ao desgaste da sua oferta de conteúdos; por outro lado, algumas estações privadas, mais ousadas, encontram rentabilidade na descoberta de novos conceitos comerciais, multi-plataforma, interpretando devidamente a revolução tecnológica e a mutação dos hábitos dos consumidores; por outro lado, ainda, os custos de produção continuam a aumentar (menos os dos conteúdos de má qualidade e garantido insucesso), mas a tecnologia faz surgir novas formas de receita que poderão mitigar os custos crescentes. Face a este cenário tripartido, eu vi...