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Visita de Estado

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A foto parece antiga, mas não. É futurista. Foi tirada aquando da terceira visita da chanceler Merkel aos Territórios do Sul do Império. Mais exactamente numa zona chamada Portugal. - “Veja como está tudo dizimado, Chanceler. Tal como nos tinha recomendado. Observe a vastidão do território libertado. Só restamos nós, governo, e um banco, literalmente.” Diz o janota do meio, um tal “passos coelho”, acotovelando contra a parede um acólito, o “portas”, que com o tempo lhe mereceu estatuto de insignificante. O “portas” refugiava-se naquele tique estranho que tinha adquirido no Reich anterior: quando se sentia pouco à vontade, olhava em frente, para evitar ser notado. Mais à direita, o quinto, era o “relvas” que olhava sempre a obra realizada, de queixo emproado. Tudo para ele era honoris causa. O último, o pequenino da direita, era o “gaspar”. Aparentemente reservado nas apresentações protocolares, era exigente numa coisa: queria sempre ser visto o mais próximo p...

Parto na auto-estrada

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Chicago, 13 de Outubro de 2009. Quase três da manhã. Tracy conduzia na Chicago Eisenhower Expressway visivelmente nervoso, enquanto Judy, sua mulher, se torcia de forma quase animalesca no banco ao lado, arfando e bradando palavras sem sentido. - Queres que pare já aqui? gritou Tracy. - Não sei! sussurrou Judy visivelmente assolada pelas dores de parto e em total negação com as circunstâncias em que o corpo se rebelava. Tracy tentou manter a serenidade e decidiu, sozinho, que não havia outra solução. Não conseguiria chegar a tempo com a mulher ao hospital. Seria mais prudente parar na berma, chamar a emergência médica e assumir que o seu quarto filho iria nascer ali mesmo, à beira da estrada. Que há de fascinante na aventura narrada nesta história? Nada. Bebés nascidos a caminho do hospital dariam para encher bairros de infantários. Ainda assim não chegariam a ser notícia. Mas a história poderá ganhar consistência se eu disser que a parturiente Judy, Judy Hsu, é pivô na ABC7 de Chicag...

Eleições I - A noite em que os partidos voltaram a não perceber nada do que se está a passar

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É sempre bonito ver todos os partidos contentes, satisfeitos com o resultado eleitoral. Ontem, foi a noite em que toda a gente venceu, como explicou Ricardo Araújo Pereira, na SIC. O PSD venceu porque ganhou ao PS. O PS venceu porque sobreviveu às dificuldades. O Bloco de Esquerda venceu porque ultrapassou o PCP. A CDU venceu porque o PC vence sempre. O CDS venceu porque ganhou às sondagens. Contabilize-se também a vitória de 6 milhões de portugueses (200 milhões de europeus) que votaram... as urnas ao abandono. E sairam naturalmente vencedoras as mentes hipócritas que acham que não votar é sinal de ignorância, de irresponsabilidade e apropriado a quem não tem preocupações sociais. Venceram, porque são invencíveis na presunção e no convencimento. Nenhum argumento conseguirá demovê-los. Cabeças destas são o maior estímulo ao incremento da abstenção. Haverá diferentes razões para a abstenção. Uma delas traduz um veemente voto de protesto. Protesto contra a actuação de políticos e partido...

Francisco e o power point

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Francisco Pinto Balsemão apresentou no dia 12 de Março (há 3 semanas) os Resultados Anuais do Grupo Impresa . São 39 slides que merecem alguma atenção. Para fora, para consumo público, Balsemão tem produzido um discurso alarmista, quase catastrofista quanto à crise e aos negócios, que visa protegê-lo e vitimizá-lo face às dificuldades da concorrência e do mercado. Mas para consumo interno, para accionistas, parceiros estratégicos e para team building dos quadros do grupo, montou no aconchego de um hotel um cenário diametralmente oposto: optimista e de sedução, fundamentado nos dados reais do exercício financeiro das suas empresas. Vejamos os números e o power point de Balsemão. Segundo a Impresa a queda anual do mercado publicitário, em televisão, foi de 2,4% . A crise nas televisões de que Balsemão tanto fala traduz-se, na SIC, em 2,4% de diminuição das receitas publicitárias. De fazer inveja a qualquer fábrica ou unidade industrial deste país – atravessar os anos de crise de forma...

O jogo de amanhã

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Esta noite o Jornal da Noite da SIC dedicava longuíssimos minutos do alinhamento à notícia que não o é - só será notícia amanhã - o jogo Benfica-Sporting, final de uma taça que também não é - nem Taça de Portugal nem Campeonato. Foram minutos intermináveis de reportagens, directos, comentários, entrevistas, acerca do estádio que ainda está vazio, dos preparativos da polícia para o estádio cheio, da taça (objecto inerte) à espera de dono, das interrogações sobre a lesão do jogador A e as teorias do treinador B. Vida e paixão do espectáculo de amanhã - uma construção dramática do nada, uma ansiedade colectiva montada teatralmente. Tudo graficamente enquadrado pela frase, em rodapé, e em permanência, mais promocional do que informativa: “Amanhã às 19:45... tem transmissão em directo na SIC”. Três jornalistas no terreno num “ping pong de informação”. Um dos reporteres, jornalista com a carteira profissional nº ___5, captado pela câmara de um repórter de imagem igualmente detentor de cartei...