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Em casa de ferreiro...?

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shooting the MGM logo, 1924 Há na RTP bons profissionais da imagem, do som, da edição, do guião, do texto e da narrativa, da realização, da ilustração gráfica, da reportagem e do jornalismo, da produção, etc., etc. Tantos! Serão centenas, milhares? São criativos, habituados a trabalhar histórias e enredos, reais ou ficcionados, em que os protagonistas são sempre os outros – nós, o mundo. Desta vez, o coração desta família profissional, palpita incomodado com o que se passa dentro de sua casa. Há tanta coisa para contar, para perguntar, para explicar... e há sobretudo a vontade de exercer o direito inalienável de debater a verdade. Mas pouco tenho visto por aí feito com o seu trabalho o seu saber. Encontram-se uns blogs, uns posts, uns comentários de facebook, uns links, uns artigos. É pouco, para as ferramentas poderosas que esta família domina. Não falo dos meios da RTP, claro; nem dos conteúdos, nem das antenas. Não há apelos insurrectos nesta ideia. Sã...

Super Putaria Nacional

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A história que se segue é verdadeira. Passou-se comigo nos anos 70. Em casa dos meus pais, junto à janela da sala que dava para as traseiras, havia uma mesa de design inigualável, que incorporava a televisão. O aparelho, um verdadeiro luxo, “com muito bom som e uma imagem muito clarinha” como elogiavam os vizinhos, vivia pousado numas pernas aflitivamente esguias, porque assim o determinava o gosto da época, e convivia com um naperon e uma peça de loiça decorativa na prateleira de baixo, nada mais. Da sóbria carcaça do móvel televisor sobressaiam meia dúzia de botões – o On/Off, o Som, o Claro/Escuro, e uma botoeira em sequência, para comutação de canais (VHF e UHF), já preparada para um total de seis estações. Não havia comandos nem controlo remoto. Talvez porque não tivessem ainda sido inventados, nem fariam sentido. O país satisfazia-se com dois canais de televisão – aliás, um e meio, porque o “segundo” só emitia a certas horas. Mudar de canal era uma co...

Eleições I - A noite em que os partidos voltaram a não perceber nada do que se está a passar

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É sempre bonito ver todos os partidos contentes, satisfeitos com o resultado eleitoral. Ontem, foi a noite em que toda a gente venceu, como explicou Ricardo Araújo Pereira, na SIC. O PSD venceu porque ganhou ao PS. O PS venceu porque sobreviveu às dificuldades. O Bloco de Esquerda venceu porque ultrapassou o PCP. A CDU venceu porque o PC vence sempre. O CDS venceu porque ganhou às sondagens. Contabilize-se também a vitória de 6 milhões de portugueses (200 milhões de europeus) que votaram... as urnas ao abandono. E sairam naturalmente vencedoras as mentes hipócritas que acham que não votar é sinal de ignorância, de irresponsabilidade e apropriado a quem não tem preocupações sociais. Venceram, porque são invencíveis na presunção e no convencimento. Nenhum argumento conseguirá demovê-los. Cabeças destas são o maior estímulo ao incremento da abstenção. Haverá diferentes razões para a abstenção. Uma delas traduz um veemente voto de protesto. Protesto contra a actuação de políticos e partido...

A Ferramenta

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Todos os dias é utilizado por milhões de pessoas para alterar a realidade – transformá-la naquilo que os olhos querem ver. Para muita gente é um instrumento permanente de trabalho por isso lhe chamam ferramenta. Retocar, recriar, inventar, mudar, alterar, retirar, aumentar, renovar... é interminável a lista de verbos regulares que se podem ajustar aos pequenos gestos que fazem a rotina do utilizador de Photoshop . Nas mãos do fotógrafo, sonhador, refazem-se sombras, removem-se acnes e rugas e muitas jovens modelo, candidatas à perfeição, vêem a celulite sumir-se das suas fotos de portfolio . Nas mãos do gráfico, cismático, compõem-se colagens e fotomontagens, construindo narrativas que, apenas com palavras, não se poderiam contar. Nas mãos do publicista, finório, desenham-se bolhas de condensação, tentadoras, que nascem do seco das embalagens haurindo-nos a sede e o desejo. Nas mãos do director de campanha, demagogo, apagam-se detalhes indesejados do fácies cansado do político, retiram...

Francisco e o power point

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Francisco Pinto Balsemão apresentou no dia 12 de Março (há 3 semanas) os Resultados Anuais do Grupo Impresa . São 39 slides que merecem alguma atenção. Para fora, para consumo público, Balsemão tem produzido um discurso alarmista, quase catastrofista quanto à crise e aos negócios, que visa protegê-lo e vitimizá-lo face às dificuldades da concorrência e do mercado. Mas para consumo interno, para accionistas, parceiros estratégicos e para team building dos quadros do grupo, montou no aconchego de um hotel um cenário diametralmente oposto: optimista e de sedução, fundamentado nos dados reais do exercício financeiro das suas empresas. Vejamos os números e o power point de Balsemão. Segundo a Impresa a queda anual do mercado publicitário, em televisão, foi de 2,4% . A crise nas televisões de que Balsemão tanto fala traduz-se, na SIC, em 2,4% de diminuição das receitas publicitárias. De fazer inveja a qualquer fábrica ou unidade industrial deste país – atravessar os anos de crise de forma...

O jogo de amanhã

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Esta noite o Jornal da Noite da SIC dedicava longuíssimos minutos do alinhamento à notícia que não o é - só será notícia amanhã - o jogo Benfica-Sporting, final de uma taça que também não é - nem Taça de Portugal nem Campeonato. Foram minutos intermináveis de reportagens, directos, comentários, entrevistas, acerca do estádio que ainda está vazio, dos preparativos da polícia para o estádio cheio, da taça (objecto inerte) à espera de dono, das interrogações sobre a lesão do jogador A e as teorias do treinador B. Vida e paixão do espectáculo de amanhã - uma construção dramática do nada, uma ansiedade colectiva montada teatralmente. Tudo graficamente enquadrado pela frase, em rodapé, e em permanência, mais promocional do que informativa: “Amanhã às 19:45... tem transmissão em directo na SIC”. Três jornalistas no terreno num “ping pong de informação”. Um dos reporteres, jornalista com a carteira profissional nº ___5, captado pela câmara de um repórter de imagem igualmente detentor de cartei...