"Eu escrevo sem esperança de que o que eu escrevo altere qualquer coisa. Não altera em nada... Porque no fundo a gente não está querendo alterar as coisas. A gente está querendo desabrochar de um modo ou de outro..."
Dela, gosto especialmente das referências que faz a quando era bem miudinha e escrevia poesia breve! Sobre nuvens, sol e galinhas que não viam o brilho do astro rei por se terem distraído...
Quanto ao querer ou não alterar as coisas com as palavras que se escrevem... uhm... cá p'ra mim quer-se sempre ("quer-se" é estranho, não? talvez devesse escrever "deseja-se" mas... oh, quer-se também é bem!) E julgo se quer sempre porque acredito nisto, - A palavra é acção política!!
O cenário é o consultório médico de um hospital público, teatralmente reproduzido. Em jeito de didascália, adianto que nada me move contra o serviço público de saúde; pelo contrário, admiro-o e gabo-lhe a temeridade de ir conseguindo resistir às adversidades. Regressando ao espaço cénico da minha consulta externa. Depois de substancial tempo de espera - faz parte! - sou chamado ao gabinete. Entro, “bom dia, dá-me licença?”, “faça favor de se sentar!” e aponta com a esferográfica para a cadeira em frente, levantando o olhar pouco acima dos meus joelhos. Sento-me. Acomodo-me, sabendo que vou ser recebido mais como um vulto que traz um episódio clínico, que uma criatura que merece simpatia e atenção. Conheço bem o burlesco dos minutos que se seguem. Olho demoradamente a médica à minha frente, sei que tenho tempo para me divertir, para confabular pormenores, antes que ela me dirija um primeiro olhar e atenção humanizada. Parece-me uma mulher sombria e velha. Veste-se como uma velha...
É sempre bonito ver todos os partidos contentes, satisfeitos com o resultado eleitoral. Ontem, foi a noite em que toda a gente venceu, como explicou Ricardo Araújo Pereira, na SIC. O PSD venceu porque ganhou ao PS. O PS venceu porque sobreviveu às dificuldades. O Bloco de Esquerda venceu porque ultrapassou o PCP. A CDU venceu porque o PC vence sempre. O CDS venceu porque ganhou às sondagens. Contabilize-se também a vitória de 6 milhões de portugueses (200 milhões de europeus) que votaram... as urnas ao abandono. E sairam naturalmente vencedoras as mentes hipócritas que acham que não votar é sinal de ignorância, de irresponsabilidade e apropriado a quem não tem preocupações sociais. Venceram, porque são invencíveis na presunção e no convencimento. Nenhum argumento conseguirá demovê-los. Cabeças destas são o maior estímulo ao incremento da abstenção. Haverá diferentes razões para a abstenção. Uma delas traduz um veemente voto de protesto. Protesto contra a actuação de políticos e partido...
Francisco Pinto Balsemão apresentou no dia 12 de Março (há 3 semanas) os Resultados Anuais do Grupo Impresa . São 39 slides que merecem alguma atenção. Para fora, para consumo público, Balsemão tem produzido um discurso alarmista, quase catastrofista quanto à crise e aos negócios, que visa protegê-lo e vitimizá-lo face às dificuldades da concorrência e do mercado. Mas para consumo interno, para accionistas, parceiros estratégicos e para team building dos quadros do grupo, montou no aconchego de um hotel um cenário diametralmente oposto: optimista e de sedução, fundamentado nos dados reais do exercício financeiro das suas empresas. Vejamos os números e o power point de Balsemão. Segundo a Impresa a queda anual do mercado publicitário, em televisão, foi de 2,4% . A crise nas televisões de que Balsemão tanto fala traduz-se, na SIC, em 2,4% de diminuição das receitas publicitárias. De fazer inveja a qualquer fábrica ou unidade industrial deste país – atravessar os anos de crise de forma...
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Quanto ao querer ou não alterar as coisas com as palavras que se escrevem... uhm... cá p'ra mim quer-se sempre ("quer-se" é estranho, não? talvez devesse escrever "deseja-se" mas... oh, quer-se também é bem!) E julgo se quer sempre porque acredito nisto, - A palavra é acção política!!