sexta-feira, maio 29, 2009

sexta-feira, maio 22, 2009

Que descanse em paz


A notícia da morte de Bénard da Costa chegou-me via twitter.
A informação relevante ou de última hora chega-me habitualmente online.
Prefiro o acesso online à comunicação porque é mais eficaz – mais rápido, mais completo, mais simples. E pode ser gerido por mim.
Gradualmente, sem me aperceber, vou alterando os hábitos de consumo, e os culturais. Por isso compro menos jornais e raramente vejo televisão.
A notícia da morte de Bénard da Costa chocou-me, deixou-me triste. Era um chato, às vezes, mas eu gostava dele, respeitava-o intelectualmente.
Eu sei que não é o elogio fúnebre apropriado mas tenho que o dizer: eu via o Bénard como o óleo de fígado de bacalhau, muito bom, enriquecedor, mas um pouquinho intragável.
Aprendi muito com ele, desde cedo... lembro-me do Tempo e o Modo.
O que eu não imaginava é que também haveria de aprender com ele no acto da sua retirada de cena.
Quando, pelo twitter, tomei conhecimento do falecimento, tive também a consciência de que já pouco me serviam os canais de televisão ou os jornais do dia seguinte - qualquer informação adicional, dossier ou vídeo relevante sobre o Bénard, já estava disponível online.
Que o Bénard descanse em paz, bem merece.
O televisor que tenho em casa também. A menos que o utilize para passar os filmes que o Bénard tanto gostava de comentar, tem os dias contados. Vai ficar desligado – paz à sua alma.

quarta-feira, maio 20, 2009

Twiteiros...


Nesta febre viral das redes sociais tem-me acontecido criar amizades (seguir e ser seguido) por gente que nunca teria pensado juntar no meu círculo de amigos.
Bush, Obama, Sócrates, Bin Laden, a Senhora de Fátima, Oprah, Sara Palin, Richard Branson, Mário Soares e Paris Hilton, são alguns dos meus compinchas twiteiros com quem me sinto “tu cá, tu lá” nesta coisa de mandar recados e do ké ke tás a fazer?
A característica epidémica da rede ajuda a que se aceda facilmente a novas amizades, que são os amigos dos nossos amigos e assim sucessivamente.
Foi nesta circunstância que encontrei o martimavillez, nick para Martim Avillez, com fotografia condizente e bio que anunciava: journalist last 16 years, now publisher to Lena Comunicação – era ele, sem dúvida.
Cliquei entusiasmado. Não porque o quisesse provocar ou confrontar com as minhas opiniões teimosas sobre a qualidade, o alinhamento politico e o futuro do jornal que dir-i-ge, mas apenas porque o queria seguir – leia-se: o queria ouvir e ler, naquilo que a sua douta sabedoria jornalistico/editorial determine partilhar com a humilde rede.
I-mpossível - cliquei, e nada... néstes.
Apenas um recado admin@twitter a anunciar que o cavalheiro tinha protected os updates e eu teria que send a request para que pudesse start following this person.
Que diabo, nunca me tinha acontecido.
Entre os amigos de Martim Avillez (deduzo que o sejam porque estão na lista de quem ele segue) encontram-se três importantes figuras internacionais. A saber: Al Gore, José Manuel Fernandes e McCain.
Ora, havia o diabo de tecê-las... são também meus listados twiteiros, os três. E nenhum deles me bateu com a porta quando cliquei para os seguir.
Agora estou confrontado com esta dúvida... Não sei se peça ao Al Gore que interceda junto do Martim para que eu possa ser seu humilde seguidor... ou talvez pudesse tentar pela via do Partido Republicano e consiga, assim, lá chegar com mais eficácia... Na verdade não sei.
Mas por outro lado, o meu orgulho somado ao fatinho e ao nó da gravata do Avillez fazem-me pensar – que se lixe! Deve haver mais vida para além de 16 anos de jornalismo que desembocam em publisher do Lena Communications.
Não se pode ter tudo.

terça-feira, maio 19, 2009

Para reflectir


A frase é retirada de um mail mais longo que recebi, hoje, de um amigo. Quem a escreve é um professor que lecciona ciber-jornalismo numa universidade pública portuguesa: "...tenho conversado com os jovens e costumo perguntar-lhes se vêem televisão. A resposta é sempre negativa ou então algo do tipo "ligo quando vou dormir". Um deles disse-me que "se a TV fosse na Internet seria mais fácil ver".
Fica aqui para reflexão.

Sem Comentários - III - b

Sem Comentários - III - a

Sem Comentários - II

Sem Comentários - I

Preocupo-me com o futuro porque é o sítio onde irei viver!


Não tenho a certeza mas penso que é de Woody Allen a frase (título do post) que motiva o visionamento do documentário que aqui proponho.
Acompanhe-se com um cosmopolitan, o cocktail mais adequado a uma hora de visionamento sem legendas.

domingo, maio 17, 2009

Hollywood aqui tão perto!



Estúdios da SP Televisão, produtora de conteúdos – ficção, séries, novelas e o que mais houver, ou lhes venha a ser encomendado.
Zona suburbana de S. Marcos, Sintra, a poucos metros de uma via rápida, em linha recta, mas a quilómetros dela pelo acesso da velha estrada.

Almoço no restaurante da produtora a convite de amigos que gerem a empresa.
O pretexto da visita é profissional. Equipamentos, tecnologia, sistemas.
Mas, circulando pelos estúdios, o olhar escapa-se-me sempre pela observação das peças, dos objectos mundanos, que evocam apetitosos ambientes cénicos.
Tudo o que a nossa memória consiga espremer de anos de ficção televisiva se vem encontrar nestes locais.
Num estúdio vivo, viaja-se sempre entre cenografias. Algumas em utilização e rodagem; outras arrumadas, em desuso; outras em construção, para servirem histórias cuja identidade ainda não é conhecida.
São salões, quartos, jardins interiores, cabinas de avião, leitos de cama para romance e sexo... que nos remetem para marcas como Podia acabar o mundo, Liberdade XXI, Conta-me Como Foi, Pai à Força, Vila Faia, Malucos do Riso, e outros.
Passo apertado por carreiros entre adereços de casa rica, pobre ou remediada... mobiliário e acessórios do Século XIX ou dos anos 60... viçosas plantas de plástico, uma esquadra de polícia, bancos de escola primária desproporcionadamente grandes, aquários de marisqueira... de tudo se encontra no backstage de um bom estúdio de televisão, como no baú de quarto de uma criança gigante.

Saio do estúdio pela porta dos fundos, enfrentando com dificuldade a luz do dia, para deparar com a mais surpreendente peça cenográfica da visita. Por detrás de um muro, já em terreno alheio, espreita um pino de mobiliário urbano com um emaranhado de sugestões de destino, que me passaria despercebido, não fora o local onde está implantado e o embaraço de lugares para que aponta.
Detenho-me a observá-lo enquanto me explicam com ironia:
- O edifício aqui ao lado é de uma empresa de sinalética... pelos vistos eles gostam de guardar parte do catálogo cá fora!
O meu interlocutor sorri e segue, indiferente, em direcção ao carro estacionado no parque, mais a baixo. Eu fico mais alguns momentos a olhar a peça, a observá-la, como se ela requeresse melhor interpretação.
Pensei – aqui mesmo virado para a porta de um estúdio de televisão... terá sido posto com que intenção? Talvez seja um desafio... uma provocação, uma pista inspiradora?
Mas acho que não. Bati a fotografia, avancei para o carro e assumi – se fosse uma provocação teriam acrescentado Hollywood 9116 km.

sexta-feira, maio 15, 2009

...e não digam que não foram avisados!

# video kills the radio star #

A corrida está renhida, mas a próspera e culta cidade de São Francisco, na Califórnia, (quatro milhões de habitantes - malha urbana), encontra-se bem posicionada para conseguir tornar-se "a primeira grande cidade americana sem um único jornal diário" - um estatuto sempre prestigiante num país que aprecia feitos absolutos.
O San Francisco Chronicle, quase 150 anos de vida, agoniza pelas bancas da cidade, já (visivelmente) entregue a cuidados paliativos.
E quando o jornal fechar, será que os leitores da cidade se irão entregar ao luto e à lamúria do defunto?
- Nem pensar!
Dizem mesmo que "o ppl com menos de trinta anos nem vai dar por isso!"
Que comentário desapropriado!... Certamente proferido numa daquelas disparatadas reportagens de vox populi?
- Absolutely no way!
Quem o disse, exactamente nestes termos, foi mesmo Gavin Newsom, o Mayor da cidade da Golden Gate, numa entrevista ao The Economist.
A migração de públicos para os novos media é uma realidade inquestionável.

Postei aqui, recentemente, as ideias agourentas de Michael Wolff sobre a morte dos jornais tradicionais e as "virtudes" do seu News Aggregator cujo sugestivo lema é... - arrepia-me escrevê-lo, mas cá vai - Read Less, Know More.

Ok, adiante... estão a ver o gráfico acima?
Vejam para onde vão as barrinhas. Onde se cruzam. Em que direcção se desenvolvem.
Então, do que é que estamos à espera?
Se sabemos de onde vimos e para onde vamos, por que é que não vamos já?
É esse pragmatismo, esse desprendimento face aos tropeções da vida, que estes Yankees são bons a gerir... e que, a nós, nos faz tanta falta.
Como eles são pragmáticos a superar obstáculos!
Que ingrato constatar que, quer do lado de lá, pela Gonden Gate, quer do lado de cá, pela Brooklyn Bridge, são sempre eles, ao fim ao cabo, quem melhor incorpora a nossa asserção poética de "a ponte é uma passagem, para a outra margem!"

Vocês aí, estão à espera de quê para se mexerem?...
Já lhes fiz o desenho... agora querem o quê? Um estudo económico?

A Evidência

segunda-feira, maio 11, 2009

i - um jornal porreiro, pá!


Bastaram três dias para ver o filme.
O filme, neste caso, é um jornal, o i.
Três dias, três edições, muitas páginas, uma revista.
Notícias, zero; cachas, zero; interesse, gozo e sumo informativo, muito reduzidos.
A revista (que me perdoe o Pedro Rolo Duarte) é uma brincadeira sem interesse. Tudo mau. Só me merece um comentário: nenhuma árvore merecia morrer por causa tão pouco nobre.
Mas será mesmo um jornal desprovido de novidade?
Bem, tem uma... e nem sequer é a paginação o grafismo ou o online: é um novo estilo, new age, de fazer jornalismo (chamemos-lhe assim, por benevolência).
A manchete do segundo dia de vida diz tudo - Governo Obriga Caixa a Salvar outro Banco”.
O percurso do i é previsível: dou-lhe um ano de vida.
Com legislativas e autárquicas agendadas para o Outono, a vida do i vai ser mais ou menos assim.
Em Janeiro de 2010 estará a reestruturar o conceito editorial, o visual e a equipa redactorial.
Em Setembro do ano que vem, fecha portas.

Será prematuro e injusto fazer tão duro julgamento a um jornal com três dias de vida?
Talvez seja.
Vamos então aguardar mais uns tempos.
Enquanto esperamos, sugiro um passatempo.
Imprima e recorte cada um dos nomes abaixo e experimente montar um puzzle.
Complicado? As peças não ligam nem fazem sentido?
Nos próximos dias apresentarei aqui a solução, as instruções de construção, e as peças em falta, para completar o interessante e lúdico puzzle i.
Tome nota.

Grupo Lena
Partido Socialista
Hugo Chavéz
Família Barroca Rodrigues
Manuel Maria Carrilho
Movie light
Pedro Falé, empresário audiovisual
Pedro Falé, reporter de imagem da SIC
Luis Bernardo, assessor do PM
Televisão full HD
Jornalismo
João Pereira Coutinho
Pedro Silva Pereira
Martim Avillez Figueiredo
Sojormedia
Venezuela


O Conselho Editorial do i integra dois nomes de jornalistas respeitáveis, meus amigos profissionais, a quem sugiro vigilância e bom trabalho... mas não está fácil.